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25 de agosto de 2010

Sigmund Freud - O explorador da mente

Os estudos do pai da psicanálise provocaram impacto em várias áreas, inclusive na Educação

Da antropologia à teoria literária, da filosofia à ciência política, poucas áreas do pensamento humano escaparam à influência do médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939). A Educação não é exceção. Como o próprio Freud observou, suas pesquisas começaram pela observação da histeria em mulheres, mas aos poucos foram se deslocando para a psicologia infantil.



Um dos motivos da ampla influência da psicanálise é que seu autor a desenvolveu em duas vertentes: no estudo do psiquismo (o conjunto de processos mentais conscientes e inconscientes) e no do método terapêutico. Portanto, ao mesmo tempo que abre caminho para um profundo conhecimento do ser humano, essa ciência tem noção dos limites e das dificuldades de sua aplicação como cura ou solução. Por isso, tentar fazer uso prático da psicanálise na escola é perda de tempo. "Muita gente utiliza diversas teorias na Educação como quem se vale de uma caixa de ferramentas", diz Leandro de Lajonquière, psicanalista e professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. As maiores contribuições de Freud nessa área estão no conhecimento do desenvolvimento sexual da criança (leia a reportagem sobre educação sexual) e no papel da linguagem.
Pelo menos em duas ocasiões, Freud escreveu que Educação, política e psicanálise são atividades "impossíveis", pois as três lidam com a palavra. "Mas isso não quer dizer que não há como exercê-las. Temos de ter em mente que, quando a linguagem é o instrumento, o resultado profissional nunca é exatamente o pretendido", explica De Lajonquière.
 
Biografia

Experiências próprias pontuaram sua obra


Sigismund Schlomo Freud, que passou a assinar Sigmund Freud, nasceu em 1856 em Freiberg, na Áustria, numa família judia de classe média que, três anos depois, se mudaria para Viena, onde Freud se formou em medicina. Seu interesse pela pesquisa o levou a estudar neuropatologia em Paris e a se associar ao médico Joseph Breuer (1842-1925). Casou-se com Martha Bernays, com quem teve seis filhos. Experiências clínicas e pessoais, como a morte do pai, foram elaboradas por Freud como teoria psicanalítica e apresentadas pela primeira vez de modo sistemático no livro A Interpretação dos Sonhos (1900), ao qual se seguiram Psicopatologia da Vida Cotidiana (1904) e Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905). A obra de Freud adquiriu amplitude de temas em Totem e Tabu (1913) e O Mal-Estar na Civilização (1930). Acuado pelos nazistas, ele mudou-se com a família em 1938 para Londres, onde morreu no ano seguinte.


Repressão sexual
As pesquisas que Freud fez sobre linguagem se relacionam a um dos objetos de estudo da psicanálise, o inconsciente - região psíquica à qual a pessoa não tem acesso voluntário, mas que se manifesta em sonhos, atos falhos e sintomas de neuroses e psicoses. O conceito já era estudado por Jean Charcot (1825-1893), com quem Freud trabalhou (leia o quadro abaixo). O jovem austríaco, porém, concluiu que os conflitos da mente tinham origem na sexualidade.


O cientista chegou a apostar que a escola desempenharia um papel revolucionário caso abolisse ou atenuasse a função sexualmente repressora que sempre exercera. Porém, com o tempo ele passou a ver as coisas de outro modo. Mas advertiu que o sofrimento que a Educação infligia aos alunos ao lidar com pulsões e afetos sexuais poderia ser, de certa forma, atenuado. "A pedagogia sempre ignorou a sexualidade, que se manifesta queira a escola ou não", observa De Lajonquière.
Freud detectou uma ampla gama de impulsos operando dentro e fora da libido (energia sexual) do indivíduo desde o nascimento. O contato corporal com a mãe - sobretudo pela amamentação - a transforma no primeiro objeto amoroso do ser humano. A descoberta de conexões libidinais e mecanismos de percepção que emergem durante os primeiros anos de vida levou Freud a elaborar a teoria do complexo de Édipo - que não é doença, como sugere o uso deturpado da palavra "complexo", mas um processo universal ao qual todos estamos sujeitos.


Simplificadamente, ele refere-se ao desejo sexual dos meninos pela mãe e à rivalidade com o pai na disputa pelo amor materno. Na menina ocorreria um processo similar, também relacionado ao vínculo inicial com a mãe. Em ambos os casos, a superação dessa fase resultaria, entre outras coisas, no redirecionamento da libido e na internalização da autoridade paterna - etapa fundamental da formação do superego, uma das três partes do aparelho psíquico formador da personalidade, juntamente com o ego e o id.


O id é a parte primal da mente, que contém forças instintivas inacessíveis à consciência. Já o superego se forma juntando aspectos de censura e ideais construídos por inf luência dos pais, dos educadores e dos valores civilizacionais. E o ego representa a razão, a busca de controle e equilíbrio e a tentativa de defesa contra pulsões agressivas e auto-agressivas.

Os caminhos de Freud

A cura pela palavra e pela livre associação  

 
Sigmund Freud trabalhou com a intuição dos processos inconscientes nos estudos clínicos feitos em Paris com o neurologista Jean Charcot, que usava a hipnose para tratar histeria. Em Viena, ele teve contato com Joseph Breuer, que cuidou da paciente conhecida como Anna O. Num estado próximo da auto-hipnose, ela falava sobre as primeiras vezes que experimentou os sintomas de histeria, e só isso reduziu a incidência e a violência dos surtos. Nos casos que acompanhou, Freud percebeu que a relutância em associar idéias, os silêncios e as dificuldades de pronúncia indicavam conf lito entre o consciente e o inconsciente reprimido, geralmente material de natureza sexual. A psicanálise surgiu da crença de que trazer à tona esse teor e tratar dele pela fala seria um meio de desatar o nó psíquico. Freud começou então a afirmar a existência da sexualidade infantil e a necessidade de conhecê-la.

Sublimação e arte
Essas três instâncias administram a rede de pulsões de satisfações sexuais e de morte, que coexistem em todos os seres humanos. Os critérios de cada um para lidar com elas obedecem às necessidades de autoconservação, de prevenção do sofrimento e de maximização do prazer. A complexidade do processo leva à inibição ou à repressão de instintos. Um dos resultados desse processo é a sublimação, que conduz à produção cultural por uma atividade psíquica de reelaboração da pulsão do prazer.


Essas constatações fizeram Freud concluir que não haveria civilização sem repressão. Mas, para ele, a escola poderia direcioná-la para o lado bom: a sublimação que leva à produção artística. "Porém, como todo processo psíquico, esse mecanismo é inconsciente e não pode ser conduzido por uma programação feita pela escola", explica De Lajonquière.

Há pelo menos uma observação feita por Freud aos pais que vale para os educadores: "Nós nos preocupamos demais com os sintomas e muito pouco com o lugar do qual provêm. E quando criamos os filhos queremos simplesmente ser deixados em paz, queremos uma 'criançamodelo' sem nos perguntarmos se isso é bom ou ruim para ela".






Por Márcio Ferrari

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“Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que nada é para sempre." (Gabriel García Márquez)

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