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31 de outubro de 2011

Desejos

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial

E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus

Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação

Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo

Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


Carlos Drummond de Andrade

Uma nova dose De Drummond ...

Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


              Carlos Drummond de Andrade


Hoje é Dia D…rummond



(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

(Resíduo)




Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.     

O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.

Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac (Les Paysans, 1845; Os camponeses), Choderlos de Laclos (Les Liaisons dangereuses, 1782; As relações perigosas), Marcel Proust (La Fugitive, 1925; A fugitiva), García Lorca (Doña Rosita, la soltera o el lenguaje de las flores, 1935; Dona Rosita, a solteira), François Mauriac (Thérèse Desqueyroux, 1927; Uma gota de veneno) e Molière (Les Fourberies de Scapin, 1677; Artimanhas de Scapino).

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

CRÔNICA

Fala, amendoeira. R. de Janeiro: J. Olympio, 1957.

A bolsa & a vida. R. de Janeiro: Editora do Autor, 1962.

Cadeira de balanço. R. de Janeiro: J. Olympio, 1966.

Caminhos de João Brandão. R. de Janeiro: J. Olympio, 1970.

O poder ultrajovem. R. de Janeiro: J. Olympio, 1972.

De notícias & não notícias faz-se a crônica. R. de Janeiro: J. Olympio, 1974.

Os dias lindos. R. de Janeiro: J. Olympio, 1977.

Crônica das favelas cariocas. R. de Janeiro: edição particular, 1981.

Boca de luar. R. de Janeiro: Record, 1984.

Crônicas de 1930/1934 (Crônicas assinadas com os pseudônimos: Antônio Crispim e Barba Azul). Belo Horizonte: Revista do Arquivo Público Mineiro, 1984. [Reeditado em 1987 pela Secretaria da Cultura de Minas Gerais - ilustrações de Ana Raquel.]

Moça deitada na grama. R. de Janeiro: Record, 1987.

Auto-Retrato e Outras Crônicas. Seleção Fernando Py. R. de Janeiro: Record, 1989.

O Sorvete e Outras Histórias. São Paulo: Ática, 1993.

Vó Caiu na Piscina. R. de Janeiro: Record, 1996.

Quando é dia de futebol. Rio de Janeiro: Record, 2002.

CONTO

O gerente (incluído em Contos de aprendiz). R. de Janeiro: Horizonte, 1945.

Contos de aprendiz. R. de Janeiro: J. Olympio, 1951.

70 historinhas. R. de Janeiro: J. Olympio, 1978. (Seleção de textos dos livros de crônicas: Fala amendoeira, A bolsa & a vida, Cadeira de balanço, Caminhos de João Brandão, O poder ultrajovem, De notícias & não notícias faz-se a crônica e Os dias lindos.)

Contos plausíveis (ilustrações de Irene Peixoto e Márcia Cabral). R. de Janeiro: J. Olympio/Editora JB, 1981.

O pipoqueiro da esquina (Desenhos de Ziraldo). R. de Janeiro: Codecri, 1981.

História de dois amores (Desenhos de Ziraldo). R. de Janeiro: Record, 1985.

Criança dagora é fogo. R. de Janeiro: Record, 1996.

ENSAIO

Confissões de Minas. R. de Janeiro: Americ-Edit., 1944.

Passeios na ilha. R. de Janeiro: Simões,1952.

Minas Gerais (Antologia). R. de Janeiro: Editora do Autor, 1967. Coleção Brasil, Terra & Alma.

A Lição do amigo (cartas de Mário de Andrade - introdução e notas de CDA). R. de Janeiro: J. Olympio, 1982.

Em certa casa da rua Barão de Jaguaribe (ata comemorativa dos 20 anos do Sabadoyle). R. de Janeiro: Biblioteca Plínio Doyle, 1984.

O observador no escritório (Memória). R. de Janeiro: Record, 1985.

Tempo, vida, poesia (entrevistas à Rádio MEC). R. de Janeiro: Record, 1986.

Saudação a Plínio Doyle. R. de Janeiro: Biblioteca Plínio Doyle, 1986.

O avesso das coisas (Aforismos - ilustrações de ]immy Scott). R. de Janeiro: Record, 1987.


29 de outubro de 2011

Agenda Cultural - Sesc Alagoas

Gente, por motivo de saúde, ontem não tive tempo de divulgar a agenda cultural. Não deixem de aproveitar as atividades que a V Bienal oferece para este sábado.


Sábado, 29/10

Atividades do Sesc na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas
Oficina: Oralidade – Novelos de Muitos Fios
Ministrante: Lenice Gomes
Local: Sala de Oficinas (Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, Jaraguá)
Horário: das 10h às 12h e das 13h às 15h
Entrada franca
Mais informações: 0800 284 2440


Atividades do Sesc na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas
Aula Espetáculo: Mitos Brasileiros e a Viola
Ministrante: Paulo Freire
Local: Sala de Oficinas (Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, Jaraguá)
Horário: das 10h às 12h e das 13h às 15h
Entrada franca
Mais informações: 0800 284 2440


Atividades do Sesc na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas
Apresentação da sessão de histórias “Hora do Conto com Livros”
Ministrante: Mauricio Leite
Local: Biblioteca/oficina do escritor (Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, Jaraguá)
Entrada franca
Horário: 11h e 13h


Atividades do Sesc na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas
Mostra Gogó da Ema de Contadores de História
Sessões de contações de histórias
Gilba Pedrosa – das 15h às 16h30
Trupe Gogó da Ema – das 17h às 18h
Mestra Grinalra, Dalva de Castro e Linete Matias – das 18h30 às 19h30
Paulo Freire – 20h
Local: Auditório (Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, Jaraguá)
Horário: das 15h às 20h
Entrada franca
Mais informações: 0800 284 2440




Fonte: http://www.sescalagoas.com/



Cultura é dinâmica!!

27 de outubro de 2011

Agenda Cultural - Sesc Alagoas

Quinta-feira, 27/10
Trabalho Social com Idosos
TSI e Cultura
Contação de Histórias
Local: Sesc Arapiraca (R. Manoel Cazuza, s/n, Santa Edwiges – Arapiraca, AL)
Horário: 14h30
Mais informações: 3482-2400



Cine Sesc 16h
Stella (dir. Sylvie Verheyde, França, 102min, 2008, 14 anos)
Local: Sesc Arapiraca (R. Manoel Cazuza, s/n, Santa Edwiges – Arapiraca, AL)
Horário: 16h
Entrada franca
Mais informações: 3482-2400



Cine Sesc 16h
Di Profundis (dir. Miguelanxo Prado, ESP/POR, 80min, 2007, livre)
Local: Sesc Ler Palmeira dos Índios (Rua Genésio Moreira, 1181, São Francisco – Palmeira dos Índios, AL)
Entrada franca
Mais informações: 3421-6269



Atividades do Sesc na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas
“Leitura com Letras Sonoras”
Obras dos autores: Claudia Lins, Simone Cavalcante, Lenice Gomes e Luciano Pontes
Participação dos músicos Adriana Milet, João Igor, Lilian Rodrigues e Natalhinha Marinho
Local: Palco Livro Aberto (Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, Jaraguá)
Horário: das 10h às 11h e das 14h às 15h
Período: de 25 a 28 de outubro
Entrada franca
Mais informações: 0800 284 2440




Fonte: http://www.sescalagoas.com.br/


Cultura é dinâmica!!

26 de outubro de 2011

Agenda Cultural - Sesc Alagoas

Quarta-feira, 26/10

Trabalho Social com Idosos – TSI
Projeto “Baila Comigo”
Banda Fixação
Local: Sesc Poço (Rua Pedro Paulino, 40, Poço)
Horário: 15h
Taxas: R$ 2 (idosos com carteira do Sesc) e R$ 3 (idosos sem carteira do Sesc)
Mais informações: 0800 284 2440



Programa Mesa Brasil
Manipuladores de alimentos nas instituições sociais
Palestra sobre Direito Humano à Alimentação Adequada
Palestrante: Ana Maria Beltrão – CRN 6ª Região
Local: Sesc Arapiraca (Rua Manoel Cazuza, s/n, Santa Edwiges – Arapiraca, AL)
Horário: 8h às 18h
Mais informações: 3482-2400



Atividades do Sesc na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas
I Seminário Sesc Alagoas de Literatura Infanto Juvenil
A conversa é Criação e Leitura Literária!
Abertura: Apresentação litero musical “A Mulher Gigante e Outras Cantigas”, com Renata Mattar e Gustavo Finkler (SP). Claudia Lins, Simone Cavalcante, autores da coleção Coco de Roda e Gustavo Finkler
Mediação: Lenice Gomes
Local: Palco Livro Aberto Literatura e as diversas possibilidades de arte (diálogos)
Horário: das 19h às 22h
Entrada franca
Mais informações: 0800 284 2440




Fonte: http://www.sescalagoas.com.br/


Cultura é dinâmica!!

25 de outubro de 2011

Volta que eu te cuido

Numa quarta-feira, 03 de agosto, 17horas, ele embarcou levando minha saudade
No entanto, como o motivo é único e cheio de ensinamentos, limito minha saudade relembrando os melhores e doces momentos que passamos juntos.

“Quando você sente saudade demais de uma pessoa, então começa a vê-la nas outras, em todos os lugares, de costas, por um jeito de andar, de sorrir ou virar a cabeça de lado.”

Vejo na saudade  a conquista do teu futuro. O aprendizado que a vida te proporcionará recompensará todos esses meses.
No começo das nossas escolhas não temos como saber onde elas nos levarão, mas no decorrer delas percebemos que destino elas terão.
Que essa nova fase te deixe incrivelmente feliz.
Te amo, Amor da minha vida, e sabe que pode contar comigo.
Desejo sucesso , muito sucesso.
Ansiosa para sua chegada, Paulo Roberto.



Agridoce - Dançando -

http://www.youtube.com/watch?v=vOL-AvxD9w4&feature=topvideos_music

Beijo ;*

É tempo de recomeçar...



... De olhar novos horizontes.
Cuidar mais da saúde.
Ser egoísta , olhar mais pra si.
Preocupar-se menos. Querer mais. Querer tudo.
Expulsar os pensamentos negativos, oprimidos, fingidos.
Abrir novas portas, conhecer novas pessoas. 
Faça aquela viagem tão desejada.
É tempo de renovar, ascender o brilho do olhar, renascer para a vida.
É tempo de ser feliz.. de não ligar para quem te feriu, quem te faltou, quem te traiu. Cada um carrega em sim marcar e dores que alteram o comportamento, o estado de espírito.

É hora de aceitar as novas oportunidades. De ouvir novas idéias, novos projetos, novas opiniões.
Faça uma vida mais feliz.
Busque a felicidade na simplicidade dos dias. Pare de ter preocupações. Use seu tempo para viver melhor, fique em paz com suas atitudes.
Faça o que deve ser feito, lave a alma. Fique feliz feito pluma ao vento.
Toda mudança e todo recomeço implicar em lidar com desconhecidos, não se tranque para eles.
Dê oportunidades!

Por mais que te coloque medo, aceite o novo, não viva uma vida medíocre por se sentir amedrontado.
Claro que toda mudança é planejada, calculada, feita e refeita de várias formas com várias pessoas.
O sucesso para o novo recomeço dependerá exclusivamente da forma como nos preparamos.

Recomece quantas vezes forem necessárias.


Foto extraída do Fut Blog Sapatada na Rechochunda

Música para hoje


http://www.youtube.com/watch?v=M2ijt9sg-pQ&feature=player_embedded

Paralamas do Sucesso - Meu Erro

21 de outubro de 2011

Um amor que não se cansa de amar

Hoje o dia não amanheceu como todos os outros...
A semana cheia de novidades começou a fechar o ciclo.
Uma sensação de incapacidade toma conta do meu ser, me fiz acreditar, esperar, programar, planejar.. e tudo isso não durou mais de uma semana. A felicidade pós os pés na porta e saiu pela janela em fração de segundos e com ela levou a minha paz.
Me falaram que é preciso viver o hoje com coragem para esperanças no amanhã, coragem eu tenho, ainda permanece, mas falar de esperança nesse momento não seria viável.
Mesmo com aquele turbilhão de emoções inexplicáveis me sentia importante. Me sentia guardiã  do maior e mais raro tesouro que a vida pode me dá.
Mesmo tão pequeno.. tão inocente.. tão despreocupado.. me trouxesse enormes alegrias.
Foram dias de muita cumplicidade, muito afeto, amor e carinho entre nós.

O ontem era dor.. o amanhã será.. e depois só restará saudade.
Saudade de sonhar.. de imaginar.. de idealizar.. de esperar..

Li em algum lugar que, O tempo do relógio marcará horas, dias, meses e anos, já o tempo interno depende de cada um e da relação que se tinha com a pessoa perdida.

E concordo, poucos dias de relação.. de companheirismo, de descobertas, o tempo interno ficará extenso. Em alguns momentos a dor será mais intensa, como a que sinto hoje, agora.. e também sei que logo os pensamentos negativos se mesclam com os positivos e de alguma forma me sentirei aliviada.


Bianca Queiroz escreveu que O luto é um conjunto de sentimentos que precisam ser vivenciados e respeitados, e o enlutado terá de aprender a conviver com essa nova situação, para desta forma poder transformar a dor antes existente em saudade e lembranças.

19 de outubro de 2011

Entretenimento - Vale a pena conferir



Rita Lee será homenageada no Happy Hour Grandes Encontros do Sesc


O Happy Hour Grandes Encontros do dia 28 de outubro, a partir das 19h30, será marcado pela homenagem à rainha do rock, Rita Lee. Com mais de 45 anos de carreira, milhões de discos vendidos e mais de 30 discos gravados, Rita Lee é uma das vozes mais emblemáticas da MPB. A homenagem será realizada pela cantora alagoana Fernanda Guimarães e a banda Time Machine.

Rita Lee Jones Carvalho, mais conhecida como Rita Lee, nasceu em São Paulo. É cantora, compositora, atriz e instrumentalista brasileira de grande renome no rock nacional, denominada a “Rainha do Rock Brasileiro”. Já vendeu mais de 55 milhões de cópias, sendo a cantora brasileira que mais vendeu discos na história da música brasileira.
Rita Lee começou sua carreira em 1964, com o grupo Os Mutantes, ao lado de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Em 1967, a banda acompanhou Gilberto Gil no III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), na apresentação da canção antológica Domingo no Parque. Rita gravou seis discos com Os Mutantes, ente 1968 e 1972, desvinculando-se da banda em 72.

Em 1975, com o disco Fruto Proibido, Rita alcança a consagração nacional, com vários sucessos como Agora Só Falta Você, Esse Tal de Roque Enrow e especialmente Ovelha Negra. Fruto Proibido, considerado uma obra prima do rock nacional, torna-se uma espécie de manual para roqueiros brasileiros. Em 1976, Rita conhece o músico carioca Roberto de Carvalho e inicia uma parceria musical/amorosa de sucesso, que segue até os dias atuais. Em 1978 lança o LP Babilônia.
Os discos lançados a seguir tornam-se sucesso de público e crítica, a exemplo de Rita Lee (1979), com os hits Mania de Você, Doce Vampiro, Chega Mais; e Rita Lee (1980) com Lança Perfume, Baila Comigo, Caso Sério e Nem Luxo Nem Lixo.

Versátil, criativa e cheia de ideias, Rita Lee experimentou também a atuação e a literatura. Fez participações especiais nas novelas Top Model, Vamp e, recentemente, no remake de Ti ti ti. Escreveu quatro livros infantis, tendo como protaginista o rato cientista Dr. Alex, além de apresentar os programas de televisão Saia Justa e o talk-show Madame Lee, ambos pelo canal pago GNT, e o TVLeeZão, pela MTV. Também já apresentou um programa de rádio, onde adotava o nome de Lita Ri e interpretava vários personagens.
Em 2008, se dedicou à turnê Pic Nic, fazendo shows pelo Brasil. Ainda em 2008, participou do especial de Roberto Carlos da Rede Globo, onde fez um pot pourri de seus sucessos Papai Me Empresta o Carro, Flagra, Mania de Você e Baila Comig.
Em Dezembro de 2010, Rita Lee anunciou em seu site a tour Os Reis do Rock, com Erasmo Carlos, quando um cantou músicas do repertório do outro, além de homenagear Raul Seixas e apresentarem clássicos do rock mundial.


Fernanda GuimarãesCom 12 anos de carreira dividida entre o nordeste e o sudeste, a intérprete e compositora alagoana Fernanda Guimarães encabeçou projetos musicais consagrados pelo público como o grupo 4JAZZ, o projeto Bossa+Nova e a banda de rock Zero82. Seu primeiro CD, Verbo Livre, lançado em 2010, foi apresentado em show no projeto “Virada Cultural do Rio de Janeiro”.
Fernanda Guimarães participou de festivais como Cantacut, em São Paulo, Femucic, em Maringá e também já abriu o show de diversos artistas nacionais como Vanessa da Mata (2007), Flavio Venturini (2007 e 2008) e Maria Rita (2009). Ainda em 2011, Fernanda Guimarães finaliza e inicia novidades em seu trabalho, como a conclusão dos clipes das músicas Tudo Embora e Bonita.
A banda Time Machine, uma das mais conhecidas bandas de Alagoas, divide o palco com Fernanda Guimarães na homenagem a Rita Lee. A banda possui dois CDs gravados: Um Sonho a Mais e Realmente ao Vivo, além do DVD A Festa Vai Começar. O repertório traz sucessos nacionais e internacionais dos anos 1960, 1970 e 1980.


SERVIÇO
Happy Hour Grandes Encontros – Homenagem a Rita Lee
Dia: 28/10
Horário: 19h30
Local: Sesc Poço (Rua Pedro Paulino, 40, Poço)
Ingressos: R$ 6 a R$ 15
Mais informações: 0800 284 2440

18 de outubro de 2011

Refazer





É tempo sem hora. Sentimento sem dor. Palavra seca. Travada. Confusa.
Enigma de sentimentos. Desejo de fazer o certo. Impedimento da vontade.
As lagrimas já não molha o rosto. E o sorriso esta congelado. Estranha sensação de anestesia.
Até o vento esta soprando mais forte. Mais intenso. Mais puro.
O desejo de ver o dia ‘bonito’ igual ao de hoje energiza o ambiente. Tudo parece esta purificada. Sutil.

17 de outubro de 2011

Nada de timidez

Pensava que escrevia por timidez, por não saber falar, pelas dificuldades de encarar a verdade enquanto ardia, arvorava, arfava. Há muitos que ainda acreditam que começaram a escrever pela covardia de abrir a boca. Nas cartas de amor, por exemplo, eu me declarava para quem gostava pelo papel, e não pela pele, ainda que o caderno seja pele de um figo. O figo, assim como a literatura, é descascado com as unhas, dispensando facas e canivetes. Não sei descascar laranjas e olhos com as unhas, e sim com os dentes. Com as mãos, sei descascar a boca do figo e o figo da boca, mais nada. Acreditei mesmo que escrever era uma fuga, pedra ignorada, silêncio espalhado, um subterfúgio, que não estava assumindo uma atitude e buscava me esconder, me retrair, me diminuir. Mas não. Escrever é queimar o papel de qualquer forma. Desde o princípio, foi a maior coragem, nunca uma desistência, nunca um recuo, e sim avanço e aceitação. Deixar de falar de si para falar como se fosse o outro. Deixar a solidão da voz para fazer letra acompanhada, emendada, uma dependendo da próxima garfada para alongar a respiração. Baixa-se o rosto para levantar o verbo.
É necessário mais coragem para escrever do que falar, porque a escrita não depende só de ti. Nasce no momento em que será lida.


Fabrício Carpinejar

14 de outubro de 2011

Sesc Alagoas abre inscrições para estágio




O Sesc Alagoas inicia, no dia 10 de outubro, a seleção para estagiários que irão atuar em 2012. Há vagas para estudantes dos cursos:

Biblioteconomia,
Ciências Contábeis,
Ciências Sociais,
Educação Física,
Jornalismo,
Letras,
Medicina,
Música,
Nutrição,
Odontologia,
Pedagogia,
Psicologia,
Relações Públicas,
Serviço Social,
Sistema de Informação,
Teatro e Turismo.

Confira o edital.

@ Via: http://www.sescalagoas.com.br/

Alergias tem cura?

 via 

Você Sabia - Seu portal de curiosidades


Posted: 13 Oct 2011 05:35 AM PDT

O que são alergias

Alergias é uma afecção provocada pela reação imunológica do organismo à invasão de elementos estranhos a ele. Os antígenos invasores suscitam a criação dos anticorpos, que os atacam e, nesse processo, podem ocorrer reações das quais o organismo se ressente, reagindo, por sua vez. A reação alérgica ocorrerá quando o número de anticorpos superar o número de antígenos.



O antígeno invasor que provoca a alergia é chamado alérgeno e pode ser de vários tipos, de acordo com vários critérios, um dos quais é o de sua via de acesso ao organismo. Elementos como poeira, pólen e ácaros são causas frequentes de alergia por ingestão, podendo chegar ao sangue. Micróbios e parasitos são, às vezes, causas de alergias graves por contato de pele. Especialmente grave, entre as reações alérgicas imediatas, é o choque anafilático, no qual o organismo, já sensibilizado por determinado antígeno, reage violentamente a uma nova invasão desse mesmo antígeno, produzindo substâncias (histamina, serotonina, heparina) que alteram o equilíbrio fisiológico, contraindo músculos, dilatando vasos e bloqueando a circulação do sangue.

Ocorrências

Pode ocorrer, eventualmente, uma pessoa entrar em contato com uma substância alergênica e só apresentar reações alérgicas dias ou semanas depois. Isso acontece porque a quantidade de anticorpos produzidos não ultrapassou a quantidade de antígenos no organismo. Mas se a pessoa mantiver o contato com a substância durante vários dias, a quantidade de anticorpos ultrapassará a quantidade de antígenos e provocará então uma reação alérgica. As reações alérgicas acontecerão cada vez mais intensas sempre que o indivíduo entrar em contato com as substâncias alergênicas. As consequencias mais graves da alergia são:
·         Erupções extensas na pele, às vezes com lesões bolhosas e inchaço.
·         Edema de Quinck, caracterizado pelo inchaço das vias aéreas superiores (faringe e laringe), o que pode provocar sufocação e morte.

Controle

É importante observar que as alergias não têm cura. No entanto, a identificação das substâncias alergênicas a cada indivíduo é muito importante para o seu controle. Os principais métodos utilizados para o seu controle são:
·         Vacinas que são produzidas com pequenas quantidades das substâncias alergênicas. As doses vão aumentando gradativamente de modo que o organismo “acostume-se” com as substâncias alergênicas;
·         Afastamento das substâncias alergênicas;
·         O uso de cortisona para o tratamento dos casos de alergia agudos. A cortisona e seus derivados são drogas que agem diretamente na quantidade de anticorpos no organismo. Entretanto, o uso da cortisona à longo prazo pode ocasionar a queda de imunidade do organismo provocando o surgimento de infecções oportunistas.
A prevenção é a melhor providência.

Sintomas

Os sintomas mais comuns que indicam o surgimento das alergias são os resfriados constantes, espirros, coceiras, coriza, dores de cabeça e outros. Por serem tão comuns, muitas vezes não prestamos atenção ao que pode ser um sintoma de alergia. Esta possibilidade aumenta nas grandes cidades devido à poeira e à poluição que circulam livremente. Mas as alergias têm outras fontes como a alimentação, o ar e, às vezes, o simples contato com objetos.Os sintomas locais são:
·         Nariz: inchaço da mucosa nasal (rinite alérgica).
·         Olhos: vermelhidão e coceira da conjuntiva (conjuntivite alérgica).
·         Via aéreas: broncoconstrição, respiração difícil e dispnéia, algumas vezes ataques de asma.
·         Pele: várias erupções como eczema, urticária e dermatite de contato.

Tipos de alergias e alérgenos mais comuns

Além das proteínas alheias encontradas em transfusões de sangue e vacinas, os alérgenos mais comuns e seus tipos de alergia incluem:
·         Pólens de plantas – febre do feno.
·         Esporos de mofo.
·         Drogas: penicilinas, sulfonamidas, anestésicos, salicilatos.
·         Alimentos: alergia alimentar – nozes, frutos do mar, gergelim, clara de ovo, alguns legumes, soja, leite, trigo, milho ou maizena.
·         Picadas de insetos.
·         Pêlos de animais.

6 de outubro de 2011

Agenda Cultural - Sesc Alagoas




PROGRAMAÇÃO CINE SESC 12h30
Teatro Sesc Jofre Soares, Sesc Centro – Maceió, AL

Dia 10/10
Carrego Comigo (dir.: Chico Teixeira, 63min, BRA, 2001)
Famosos ou não, os gêmeos elaboram respostas específicas para questões universais, como a identidade de cada um, uma solidão de outro tipo, a morte como que multiplicada. Entre os personagens estão os cartunistas Chico e Paulo Caruso e as cantoras Pepê e Neném.
Classificação: 12 anos

Dia 17/10
Estranho Encontro (dir.: Walter Hugo Khouri, 86min, BRA, 1958)
Ao dirigir-se para a casa de campo de sua noiva, um rapaz vê, na estrada, uma moça cambaleando. Leva-a consigo e a esconde. Ela fugia do companheiro que a maltratava. Os dois acabam por se apaixonar. Com a traição do caseiro, que informa a localização da moça ao ex-amante, este vem atrás dela disposto a tudo.
Classificação: 12 anos

Dia 24/10
O Corpo (dir.: Antônio Garcia, 79min, BRA, 1991)
O farmacêutico Xavier vive feliz com suas duas esposas, Bia e Carmem, apesar dos protestos da cidade. A santa paz conjugal só é quebrada quando Xavier arranja uma terceira esposa, Monique. Inconformadas com a traição, Bia e Carmem fazem um pacto macabro, transformando o tom farsesco inicial em tragicomédia.
Classificação: 16 anos

Dia 31/10
Uma vida em segredo (dir.: Suzana Amaral, 98min, BRA, 2001)
Biela vive com seu pai numa fazenda de café e muito gado, onde os costumes sociais ainda remontam ao século 19. Após ficar órfã, é levada por seu primo e tutor para outra cidade. Porém, lá Biela só se sente bem na cozinha ao lado dos empregados, com quem passa a conviver definitivamente após uma grande desilusão amorosa.
Classificação: livre

CINE SESC 16h
Teatro Sesc Jofre Soares, Sesc Centro – Maceió, AL

Dia 13/10
Stella (dir.: Sylvie Verheyde, 102min, FRA, 2008)
1977: periferias de Paris. Stella (Léora Barbara) é uma jovem de 11 anos que vive com os pais. Recentemente ela foi admitida em uma famosa escola da cidade, onde conhece Gladys (Mélissa Rodriguez), filha de um judeu intelectual. Através desta amizade ela conhece um mundo novo, diferente de tudo o que conhecia até então.
Classificação: 14 anos

Dia 27/10
De Profundis (dir.: Miguelanxo Prado, 80min, ESP/POR, 2007)
Do gênio das histórias em quadrinhos Miguelanxo Prado,uma belíssima animação que levou 4 anos para ser realizada. Foram mais de 10 mil quadros pintados a mão por Prado e posteriormente animados. Durante navegação, um pescador afunda no oceano e, junto de sereias e seres marinhos, nada em direção da música distante de uma linda mulher.
Classificação: livre


3 de outubro de 2011

'Quem acredita sempre alcança'




Tem gente que está do mesmo lado que você mais deveria está do lado de lá.. ♫



É como o trecho dessa música que inicio a postagem de hoje.
Sabe quando as pessoas que você deseja que estejam ao seu lado estão do lado de lá? Que por algum motivo essas pessoas se distanciam e você fica tentando entender o motivo? Que nos últimos tempos pessoas ‘desconhecidas’ têm notado melhor seu estado de animo, você sofre com isso, chora por isso.. e quando resolve esclarecer fatos percebe que esse alguém tem estado tão envolvida em outras situações, com pessoas novas, acontecimentos novos, lugares diferentes, que na verdade se deslumbra com o hoje e não nota tudo que vem se formando.. que a distancia vai crescendo.. que você não vai mais fazendo parte da vida constante uns dos outros.
Li uma vez que sempre que você se desespera com uma situação de conflito vai enfrentar o mesmo desafio. E que é necessário se esforçar cada vez mais para compreender o outro.
Vamos lá né? Compreensão é assim que resumo minhas atitudes.
Eu compreendo!
Eu compreendo.
Eu compreendo..

E quando vamos conjugar o verbo diferente?
Tu compreendes?
Nós compreendemos!
Eles/elas compreendem...

Carta aos pais

São Paulo, 12 de agosto de 1987.

Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho,
Caio.

Mergulho I

“O primeiro aviso foi um barulhinho, de manhã bem cedo, quando ele se curvava para cuspir água e pasta de dentes na pia. Pensou que fosse o jato de água da torneira aberta e não ligou muito: sempre esquecia portas, janelas e torneiras abertas pelas casas e banheiros por onde andava.
Então fechou a torneira para ouvir, como todos os dias, o silêncio meio azulado das manhãs, com os periquitos cantando na varanda e os rumores diluídos dos automóveis, poucos ainda. Mas o barulhinho continuava. Fonte escorrendo: água clara de cântaros, bilhas, grutas — e ele achou bonito e lembrou (um pouco só, porque não havia tempo) remotos passeios, infâncias, encantos, namoradas.
Quando se curvou para amarrar o cordão do sapato é que percebeu que o barulhinho vinha do chão e, mais atentamente curvado, exatamente de dentro do próprio pé esquerdo. Tornou a não ligar muito; achou até bonito poder sacudir de quando em vez o pé para ouvir o barulhinho trazendo marés, memórias. Quando foi amarrar o cordão do sapato do pé direito, voltou a ouvir o mesmo barulhinho e sorriu para as obturações refletidas no espelho: dois pés, duas fontes, duas alegrias.
Ao abotoar as calças, sentiu o umbigo saltar exatamente como uma concha empurrada por uma onda mais forte e, logo após, o mesmo barulhinho, agora mais nítido, mais alto. Sentou na privada e acendeu um cigarro, pensando na feijoada do dia anterior. Antes de dar a primeira tragada, passou a mão pelo pescoço, prevenindo a áspera barba a ser feita, e
o pomo-de-adão deu um salto, umbigo, concha, como se engolisse ar em seco, e não engolia nada, apenas esperava, o cigarro parado no ar.
Ergueu-se para olhar a própria cara no espelho, as calças caídas sobre os sapatos desamarrados, e abriu a boca libertando uma espécie de arroto.

Foi então que a água começou a jorrar boca afora. Primeiro em gotas, depois em fluxos mais fortes, ondas, marés, até que um quase maremoto o arrastou para fora do banheiro. Espantado, tentou segurar-se no corrimão da escada, chegou a estender os dedos, mas não havia dedos, só água se derramando degraus abaixo, atravessando o corredor, o escritório, a
pequena sala de samambaias desmaiadas. Antes de atingir o patamar de entrada ele ainda pensou que seria bom, agora, não ser mais regato, nem fonte, nem lago, mas rio farto, caminhando em direção à rua, talvez ao mar.

Mas quando as ondas mais fortes rebentaram a porta de entrada para inundar o jardim, ele se contraiu, se distendeu e cessou, inteiro e vazio.
Não passava de uma gota na imensa massa de água, que descia das outras casas inundando as ruas.”



[Caio Fernando Abreu]

Mergulho II

Dando continuidade: Caio F. com “Megulho II” do livro “Pedras de Calcutá”


“Na primeira noite, ele sonhou que o navio começara a afundar.
As pessoas corriam desorientadas de um lado para outro no tombadilho, sem lhe dar atenção. Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros: “Ou você aprende ou morre”.
Acordou quando a água chegava a seus tornozelos.

Na segunda noite, ele sonhou que o navio continuava afundando. As pessoas corriam de outro para um lado, e depois o braço, e depois o olhar, o marinheiro repetindo que ou ele aprendia a nadar ou morria. Quando a água alcançava quase a sua cintura, ele pensou que talvez pudesse aprender a nadar. Mas acordou antes de descobrir.
Na terceira noite, o navio afundou.”



Caio Fernando Abreu por Marcos Mendes. O Estado de São Paulo, São Paulo, 11 dez. 1994. Coleção Hemeroteca / CEDAE

Carta enviada a Nei

Salve: hoje to tomando chá com limão e ouvindo Belchior: “eu sou apenas um rapaz latino americano/ sem dinheiro no banco/ sem parentes importantes/e vindo do interior”. Eu também. Grilei com a crítica e as cartas-pixativas de Escrita – ainda não chegou aqui – sei lá, to numa fase de análise em que fico me achando um lixo (apaga o cigarro no peito), outras putas-velhas-de-divã dizem que é-assim-mesmo and I hope so, daí fica pintando esse tipo de coisa e só piora, não é? Sabe que desde janeiro não escrevo NADA? Foi em janeiro que começou essa badalação em torno do Ovo, que me fez muito mal, tanto a positivo como a negativa – já não tenho naturalidade para escrever. Além disso, inútil.
Nair, minha mãe, hoje veio de novo com o velho papo: na sua ronda costumeira por casas espíritas, umbandistas e o que pinta, sempre dizem que “uma mulher fez um trabalho para mim num cemitério”, many years ago – é uma coisa pra me enlouquecer, e que só não enlouqueci porque tenho muita força, mas o tal trabalho bodeia num outro sentido, causando depressões, autodepreciações. O psiquiatra hoje de manhã disse que tenho como uma espécie de “culpa original”: acho que não mereço nada de bom que me acontece, daí nos momentos em que devia estar meio contente é quando estou mais bodiado (vide Laing, “O Eu Dividido”, falso-self & outros bichos). Eu não sei. Sei que tem um negócio errado.

Tua carta lida quatro vezes, me deu uma vontade absurda de estar em SP. Absurda porque tive a oportunidade de ficar aí em fevereiro e não quis. Você me pergunta pela minha paixão... Saco... acho que aqui to sentindo falta de estímulos-externos: barras mui violentas, batalha por grana, por casa, por emprego, essas coisas. Nas vezes em que estive mais pressionado de fora para dentro foi quando mais produzi. Estou cansado da meia boca daqui: sentimentos mornos – quanto tempo faz que não me apaixono? Quanto tempo faz que não sinto ódio? Quanto tempo faz que não tenho vontade de morrer? É como um filme de Antonioni fase- antiga, longas, tomadas, lentíssimas, mui sacais - & nada acontecendo. Quanto tempo faz não beijo alguém na boca? Many time, my friend.
Saí a catar o Dudu San Martin ontem – não teve espetáculo, chovia pra caralho (“o maior caldo”, como dizem no IAPI) – daí li os poemas que ele mandou pro livro-coletivo-do-Valdir (que me mandou o livro, tudo bem, escrevi a ele). Wow! Ou uáu, para ser mais nacionalista. São muito fortes? vivos? bons? são fortes-vivos-bons, mas também são mais, têm um FERVOR que fazia tempo eu não sentia em nada escrito. Acho que é o melhor dele que li até agora, me fez muito mal, me baixou ainda mais a moral, porque são extremamente pessimistas (mas, nessa altura do campeonato, pode-se ser otimista?). Depois bebemos cachaça e ouvimos Mercedes Sosa. Levitan- encontrei no teatro, outro dia, ele fez a música duma peça infantil que está em cartaz junto com a nossa, tava de calça listrada e, não sei, meio “controlado” (não sei se é bem isso), como sempre.

II - INTERVALO: GAGOS E VESGOS

Parei quase umas 24h, nesse tempo (será que no espaço também?) que separa a última frase coube: uma apresentação do “Sarau” prumas 20 pessoas (amargo, não?), uma tarde de autógrafos do Gabriel de Britto Velho onde a média de idade das pessoas devia ser – sem exagero – uns 60 anos (mas ele é ótimo: gago: sempre gostei muito de gagos, de vesgos também, têm something else); quebra-pau nos camarins (ainda vou escrever uma peça que se passe naquele espaço entre o camarim e o palco).

Incrível, tá mesmo difícil, meu amigo - chegou Caparelli, trovamos, trovamos, aí quando ele ia saindo chegou um cara da UNISINOS com um gravador, querendo me entrevistar. Fui entrevistado. Burríssimo, o moço, mas excelente visual. Ficou me olhando dum jeito esquisito quando perguntei: “Sabe que você poderia estar faturando horrores como mocinho de bangue-bangue italiano?”

III – ESQUINA MALDITA

Mas, como eu ia dizendo – depois de mais de um mês, ontem, fui à Esquina Maldita procurar Emílio Chagas. Bem foi inevitável, tomamos um pileque épico. Hoje acordei ruim, gosto de cabo-de-guarda-chuva na boca & culpa: ando bebendo muito. Horrível, não é? Eu acho, também, mas é difícil evitar, principalmente agora que começou a esfriar, de noite dá aquela necessidade de coisas quentes você sai por las calles, aí vêm as brahmas, os vinhos, os conhaques, as cachaças. E é engraçado, quando a gente tá bebendo com alguém chega num ponto em que parece que vai acontecer alguma coisa (ninguém sabe exatamente o que), e que para essa alguma-coisa acontecer mesmo é preciso beber um pouco mais. Daí você pede – e então a coisa começa a se decompor. Nada acontece, o porre começa a pintar & a mosca pousa na sopa fria.

Nei, estou ficando cínico e sem esperanças. Essa é uma fase grave. Você não pode me ajudar. Pode-se ficar cínico numa boa? Já não consigo acreditar muito mais nessa “numa boa”. Apaga o cigarro no peito.
Tenho transado com o Henrique do Valle. Ele é incrível, incrível memso, , mas numa ruim. Não é exagero, NUNCA vi ninguém mais drogado, não consegue ficar em pé, quem o ampara é a namorada, que se chama – juro – Misericórdia. Tem marcas de picadas nas VEIAS DOS TORNOZELOS. Veja esses poemas que ele me trouxe: “ninguém acreditou/ quando eu falei dos anjos/ que moram nas estrelas // então eu falei da crise do petróleo/ do preço do dólar/ e falei mal dos outros //nas estrelas/ os anjos morriam de rir”. Ou esta baudelairiana: “escuta minha prece, Satan/ já que o lótus não nasceu/ me deixaeu beber teu vinho/ com os bodes da floresta// já que a vida não é nada/ sem teu sopro// só tu devolves paz/ só tu dás alegria// só tu entregas prazer// enchendo a terra com teu orvalho”, Ele trouxe as respostas de um questionário para a “Escrita”, mais uma pilha de poemas. Alguns vão junto com a matéria, mas os outros eu não sei o que fazer. Tem a “Inéditos”, de Belo Horiozonte. Ele é muito muito muito bom. E dói olhar para ele, porque está se matando e sabe disso.

V - CUCA MEIA-BOCA

Estou meio tonto, de ressaca. Ontem vi a crítica da Veja sobre “O Ovo” – aprovado, não é? Não fiquei contente, não me pergunte por que (a tal “culpa original”?). Depois vi meu conto na Ficção, aí fiquei contente. Queria que você lesse, é uma coisa muito louca.

Chega o Correio com um livro de Minas (meu deus, como os mineiros escrevem) – “O Globo da Morte", de Hugo Almeida Souza, um pra mim outro pra Jane (que manda um beijo), abro ao acaso: “Faz assim, cara: diga que tá legal, muito bonito, colorido, sabe como? , (suas mãos mexiam, o cabelo no olho), que o anúncio dá vontade na menina de comprar a porra aí, entende?”. Quem mandou foi o Luiz Fernando Emediato, que me dá um click! –esse-cara-é-bom. Dudu quer ir para Minas, eu quero conhecer Lucienne Samôr, também quero ir pra Minas, Minas não existe mais? Rosane-Luísa internou-se na ala para indigentes do São Pedro, a psiquiatra descobriu e recambiou-a para a Melanie Klain. Procurem, procurem.
Nei, houve um tempo em que a loucura era coisa tão de poucos, lembro dos loucos de Rua de Sabntiago/Itaqui, e gente assim mais fina só tinha uma mulher, Dona Benvinda (!), mãe dum amigo meu, Fernando, que tinha medo de formiga e quase 20 anos depois econtrei no El Mourisco, desmunheecando muito – Benvinda enlouquecia periodicamente e era trazido pro São Pedro. Agora todo mundo enlouquece a toda hora, já estive louco, mas nunca numa clínica, o que é uma desfaçatez da minha parte,às vezes até entro numa que a minha cuca é demais meia-boca, já que nunca mereceu sequer uma clínica. Rosane, eu não tive coragem de amar Rosane como ela me pediu que eu a amasse (sem pedir, entende?)

Nei, os amigos estão enlouquecendo, alguns, outros indo embora, outros se trancando em casa, outros ainda bebendo muito, não interessa falar do meu medo, mas ele exste e eu não sei se o nosso grito adianta alguma coisa contra tudo isso – adianta? Gritarei/gritaremos sempre, mas as coisas mudarão? Esta é uma karta kaótica. Caparelli diz que todo verbo no futuro é imbecil. Houve um tempo em que pensei que tinha asas, houve um tempo em que pensei que comigo seria diferente. Tenho na memória imagens & imagens de solteirões de bombachas tomando mate nos degraus ao sol, no inverno (sempre agosto), eu não sei por que isso me ocorre agora, já caiu a primeira geada e as bergamotas estão muito doces. É isso aí. Ou não. Amanhã continuo.




(Caio Fernando Abreu)
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Isso é escrever

“Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que nada é para sempre." (Gabriel García Márquez)

Definição

"Me mande mentalmente coisas boas. Estou tendo uns dias difíceis, mas nada, nada de grave. Dias escuros sem sorrisos, sem risadas de verdade. Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade. Quando acordo, vejo que meus sonhos não passam disso, sonhos; e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real num lugar que eu possa viver, não sobreviver."
(CFA)

Pausado

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"Tô feliz, to despreocupado, com a vida eu to de bem"

Quem sigo

Um Pouco

"Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos. Em construir castelos sem pensar nos ventos. Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim. A manter meu buquê de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes. Porque aprendi, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica. Dá sempre pra tirar um coelho da cartola. E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos. Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o voo. Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim.” (Caio Fernando Abreu)
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