Leopoldo, o vinho top da Santo Emílio.
Nos últimos anos, o estado de Santa Catarina tem se destacado pela qualidade de seus vinhos, vários deles merecidamente vencedores de prêmios importantes em avaliações recentes. Por trás desse sucesso, há quase sempre uma história de empreendedorismo visionário, como a que garantiu a excelência dos rótulos da Villaggio Grando e da Vinícola Pericó, pioneira na produção de icewine no Brasil.
Uma história parecida se repete na Vinícola Santo Emílio. O empreendimento começou em 2003, quando a família Binotto adquiriu a Fazenda Quinta dos Montes, em Urupema. Numa região que fica entre as mais geladas do Brasil, a Quinta dos Montes oferece um terroir propício ao cultivo de uvas de alta qualidade, a 1.200 metros de altitude. Para produzir vinhos de classe mundial, a Vinícola Santo Emílio contando para isso com experts de fora do Brasil.
Um dos frutos desse esforço é o surpreendente Leopoldo, assemblage que contou com a consultoria da enóloga argentina Susana Balbo. Mas não é só o conhecimento estrangeiro que está por trás desse excelente corte de merlot e cabernet sauvingon, cuja safra 2007 conquistou a Medalha de Ouro no Concurso Internacional de Bruxelas, no ano passado. O êxito do Leopoldo também se deve ao talento de uma jovem enóloga brasileira, Patrícia Poggere, natural de São Marcos, RS. Patrícia já havia trabalhado com Susana Balbo na Vinícola Domínio Del Plata, além de ter estagiado na França, onde manteve contato com enólogos prestigiados. Para chegar ao Leopoldo, ela trabalhou duro, desenvolvendo linhas de vinificação distintas para as duas castas que entraram no corte.
O merlot passou por maceração pré-fermentativa a frio de 24 horas. A fermentação alcoólica prosseguiu com duas remontagens diárias, a temperaturas entre 25ºC e 30ºC. O descube foi realizado 9 dias após o esmagamento e não houve prensagem, apenas esgotamento. “No caso do cabernet sauvignon, não realizamos a maceração pré-fermentativa”, diz Patrícia. O descube foi realizado no 12º dia. Os vinhos seguiram para barricas novas 100% francesas. Após 10 meses foi definido o corte, 60% merlot e 40% cabernet sauvignon.
Nota de degustação: Coloração vermelho intenso e profundo. Bouquet frutado, especiarias, baunilha, ameixa seca e geléia de frutas vermelhas. Na boca, é aveludado com notas de madeira, mas com predominância da fruta.
Harmonização: Saltimboca, ossobucco e carnes acompanhadas de massas ou risotos bem condimentados ; caças, queijos e embutidos.
Onde encontrar: Eivin – Distribuidora de Vinhos Brasileiros
tel.: (11) 5042.3890 http://www.eivin.com.br/
_ Não procuro medidas exatas, não procuro paixões avaçaladoras, não procuro o tempo certo, quero a pessoa errada na hora certa, porque depois mudo isso tudo... ai a hora fica errada e a pessoal certíssima.
Quero me deslumbrar com o brilho das estrelas.
Quero apreciar a lua e sentir a brisa do mar.
Quero tomar um porre pra encher o saco das pessoas e depois sorrir, mas sorrir muito .
Quero sentar numa calçada qualquer e chorar.
É difícil me iludir porque aprendi a não esperar muito das pessoas. Odeio o frio, o tumulto, o aperto de mão ( ah o aperto de mão ).
Quero sentimentos desprovidos de qualquer interesse, consigo isso nos tempo de hoje?
Mykaelly Morais ;*
Fica parado à porta e eu nem vejo, estou de costas fazendo coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o céu pela janela. Fica parado à porta uma porção de tempo, e eu nem vejo, mas dura pouco. Em seguida algum toque quente como um olhar fixo começa a me queimar a nuca, então abandono o que estou fazendo, seja o que for, e não sei bem se me volto lenta ou rapidamente, para surpreende-lo no momento exato de baixar os olhos e afastar a mão apoiada na parede, como se recém chegasse e estivesse parado ali uma porção de tempo, olhando. Sei que está azul, ou verde, ou branco, talvez os três juntos, talvez outros ainda, talvez nenhum: mas me volto rápida ou lentamente, e nesse movimento qualquer coisa que tenho entre as mãos cai ao chão, e antes de dizermos qualquer coisa há a necessidade quase milenar de curvar-se para apanhar o objeto caído, um livro, um cigarro, provavelmente uma estrela. E só depois ou durante o tempo em que vêm subindo no ar as mãos douradas segurando essa coisa qualquer é que nos olhamos e começo a entrar no mar sem medo antigo, e pela primeira vez, a água não parece fria nem escura, nem arde nos olhos quando mergulho. Mergulho fundo para voltar em seguida à tona, mas não consigo, qualquer coisa como algas ou raízes ou peixes ou mesmo estrelas me prendem a esse fundo de fogo claro. E me debato sem vontade, sabendo que além da superfície há um dia esmaecido, que ainda é outono e um pajem caminha num parque qualquer, todas as tardes, com um livro ou uma folha nas mãos douradas e sozinhas. Mas é azul à minha volta, e embora me doa esse azul entrando pelos sentidos, é ali que quero ficar agora, naquele fundo claro de fogo, com algas de madrepérola aprisionando meus tornozelos, alguns tesouros além, navios piratas, ouros, terras, sereias. Faço um movimento brusco e venho à tona como se voltasse a mim, e vou saindo lentamente do azul, sento na areia áspera e fico olhando a superfície que volta a ser polida e fria como vidro. Antigo medo, que me encara com olhos que guardam algas de madrepérola no claro fogo do fundo, e que recusa me matar de azul, porque talvez eu não suportasse, e não posso morrer porque é preciso, ainda, sacudir a areia da roupa branca e estender a mão para o livro, cigarro ou estrela que sobe em outras mãos douradas. E sorrir, então, e dizer bom dia, boa tarde, talvez boa noite, e convidar a sentar, como se costuma nessas situações, e explicar sempre que não há onde sentar, e espalhar cinzeiros, fechar a porta, escolher rapidamente um disco lento e abandonar a coisa que estivesse fazendo para sentar no canto oposto da cama, talvez cruzar as pernas, acender um cigarro, abrir um livro, olhar uma estrela e falar ouvir durante horas coisas duras e inúteis, e de repente me perceber novamente deslizando para um mar aberto feito boca, convite na esquina, veludo atrás de vidraça, e não ceder porque não seria de esperar que eu cedesse agora, nessas situações, embora me consuma, e penso. E de repente como girar num roda louca que joga de novo eu mesmo neste mesmo parque, com este mesmo livro ou esta mesma folha onde vou desenhando devagar uma estrela enquanto o cigarro queima em fogo claro, e depois ler ou ficar à toa olhando os verdes fumando à espera que um pajem passe de mãos sozinhas que faça encher de encanto as algas de madrepérola me seguram pelos pulsos e eu não resisto e já não importam os parques os pajens as folhas os livros os cigarros as estrelas as guitarras a loucura de líquidos derramados sobre o tapete que tudo absorve há dezesseis anos: apenas essas algas nos meus pulsos e os tesouros as sereias os reis com suas capas de arminho os atlantes os castelos e parques sem adolescentes sem folhas nem livros em árvores sem esperas e bancos despidos de inscrições parques verdes de paz e uma coisa grita pouco abaixo do meu centro escuro mas eu a trato como lenhador à serpente estanguida eu a levo para casa preparo o fogo e alimento e abro janelas e portas para voltar correndo às algas de madrepérola que agora se afrouxam e me soltam lentamente para me abandonar outra vez na mesma praia de areia seca olhando esse mar frio que se recusa a me matar de azul e que me dói exatamente como se eu fosse um menino pobre a quem se mostrassem um doce da janela de um carro em alta velocidade. Vou escrevendo poemas como Anchieta pelo corrimão branco da escada e abro uma porta escura para a rua cheia de cotovelos, dentes rangendo, hesitações, temores, diplomas e [ilegível]. Depois volto devagar por um caminho que já não consigo decifrar, e me perco em labirintos pela sala vazia, ligodesligo ingridgarthumphreybergmann e o leite escorre pela minha garganta seca de areia, de água salgada, de ar rarefeito, e tento novamente descobrir tesouros escondidos pelos cantos, como ninhos de Páscoa, e tento reescrever poemas desfeitos pelo vento no corrimão branco, e tudo de repente se fecha em torno de mim como uma bola cheia de espinhos, mas sorrio, contido, e dou as costas para a porta e depois volto a fazer coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o céu pela janela. E não espero que outra vez um toque quente como um olhar fixo me queime a nuca e me voltar para encontrar um valete de paus, de mãos estendidas para esse objeto qualquer caído há pouco, um livro, um cigarro, provavelmente uma estrela.
Caio Fernando Abreu
NOTA: Texto não revisado, extraído da revista Bravo! de fevereiro de 2006.
".. Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce.."
Grande Caio Fernando Abreu
" Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.
Ah, mas tudo bem. Em seguida todo mundo se acostuma. As pessoas esquecem umas das outra com tanta facilidade. Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é.
... Que lindo encontrar contigo todas as manhãs de todos estes dias de todos estes anos...
Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade,
não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas me sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só esta vontade quase simples de estender o braço para tocar você...
Deitada no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo. Esse era o sonho, nada mais.
É preciso que você venha nesse exato momento.Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates... Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe?
Quero acabar com as leis da física,dois corpos ocuparem o mesmo lugar! Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto.
Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos."
"...é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem..."
"E tudo por aqui, na verdade , vai bem. Pulo os poços, quando pintam - e como pintam!"
"Me cobrou um amor, que no momento eu só posso sentir por mim...
Meu amor próprio, é tão grande que não cabe você!"
"Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo, dizer 'me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa?'"
Caio Fernando Abreu
" Nunca esqueci da experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tomando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento das folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos."
Nota: Lya Lyft - Pensa é trangredir
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Leopoldo , o vinho top da Santo Emílio. Nos últimos anos, o estado de Santa Catarina tem se destacado pela ...
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Definição
"Me mande mentalmente coisas boas. Estou tendo uns dias difíceis, mas nada, nada de grave. Dias escuros sem sorrisos, sem risadas de verdade. Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade. Quando acordo, vejo que meus sonhos não passam disso, sonhos; e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real num lugar que eu possa viver, não sobreviver."
(CFA)